Uma nova investigação revela que a enorme e misteriosa estrutura abaixo do Havai – cientificamente denominada zona de velocidade mega-ultrabaixa (mega-ULVZ) – não é a massa fundida anteriormente suspeita, mas sim uma formação densa e sólida rica em ferro. Esta descoberta muda fundamentalmente a nossa compreensão de como os pontos quentes vulcânicos como o Havai são sustentados e oferece insights sem precedentes sobre o interior profundo da Terra.
O Mega-ULVZ: o que é e por que é importante
Zonas de velocidade ultrabaixa (ULVZs) são regiões enormes encontradas perto da fronteira manto-núcleo da Terra, aproximadamente 1.800 milhas (2.900 quilômetros) abaixo da superfície. Eles são caracterizados por ondas sísmicas dramaticamente lentas – a razão pela qual foram detectados pela primeira vez. As Mega-ULVZs são as maiores destas zonas, estendendo-se por centenas de quilómetros e frequentemente associadas a pontos vulcânicos em locais como o Havai, a Islândia e as Ilhas Marquesas.
Isto é importante porque estas zonas representam uma linha de visão direta da composição e comportamento das profundezas da Terra. Estudá-las ajuda-nos a compreender não apenas como a Terra se formou, mas também como outros planetas evoluem.
Ferro sólido, não gosma derretida
Durante anos, uma teoria importante sugeriu que os mega-ULVZs eram compostos principalmente de material parcialmente fundido. No entanto, o último estudo, publicado em 28 de janeiro na revista Science Advances, refuta isso. Pesquisadores liderados por Doyeon Kim, do Imperial College London, usaram uma nova abordagem combinando ondas sísmicas de compressão (P) e de cisalhamento (S) para analisar o mega-ULVZ sob o Havaí.
Os dados indicam fortemente que a estrutura é predominantemente de rocha sólida com alto teor de ferro. De acordo com Kim, “por ser um material rico em ferro, será eletricamente mais condutivo e isso promoverá a condução térmica – portanto, ajudará a localizar a pluma para durar mais tempo.”
Implicações para a atividade vulcânica e a história da Terra
A composição sólida e rica em ferro tem implicações significativas. A alta condutividade térmica do ferro ajuda a estabilizar o hotspot havaiano, garantindo uma fonte duradoura de atividade vulcânica.
As origens do mega-ULVZ permanecem debatidas, mas o estudo propõe duas possibilidades principais:
- Restos da evolução inicial da Terra: A estrutura pode ser uma relíquia da formação do planeta, especificamente da cristalização de um antigo oceano de magma ou derretimentos recristalizados.
- Crosta oceânica subduzida: O material das profundezas do manto, incluindo a crosta oceânica rica em água empurrada para baixo através de zonas de subducção, pode contribuir para a sua formação.
Kim observa que nem todos os mega-ULVZs são iguais e que alguns podem até conter material proveniente do próprio núcleo da Terra. A nova abordagem analítica permite aos cientistas diferenciar estes tipos de ULVZs em todo o mundo.
“Temos primeiro que compreender claramente o que está a acontecer na Terra para compreender completamente o que está a acontecer noutros planetas.” – Doyeon Kim
Esta pesquisa não trata apenas do Havaí; é um passo crucial para a compreensão da formação planetária e da dinâmica do interior profundo da Terra. A composição e o comportamento destas estruturas ocultas moldarão a nossa compreensão do planeta nos próximos anos.

























