Ela era uma mulher. Ela trabalhou com fogo.

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Os Upton Lovell Shamans têm barba. Pelo menos nos dioruns dos museus.

É a imagem padrão de um metalúrgico e líder espiritual da Idade do Bronze de 4.000 anos. Estóico. Barbudo. Macho.

O DNA antigo acabou de destruir essa narrativa.

Ela era uma mulher.

“Isso destrói completamente as suposições anteriores.” – David Dawson, Diretor, Museu Wiltshire

Durante décadas, os historiadores presumiram que os papéis de alto status da metalurgia estavam reservados aos homens. Metalurgia não era apenas um comércio. Era ciência espacial. Transformar rocha em substância fundida era magia, poder, status. Todos decidiram que as pessoas que detinham esse poder deveriam ser homens.

Acontece que todos estavam errados.

O esqueleto foi desenterrado pela primeira vez em 1801, dezesseis quilômetros a oeste de Stonehenge, na vila de Upton Lovelle. Foi enterrado com tudo que um xamã poderia desejar. Um manto cerimonial feito de ossos de animais perfurados. Um elaborado colar de osso. Uma bolsa decorada com presas de javali.

Depois havia o kit de ferramentas.

Quatro esponjas fósseis escavadas que funcionam como copos. Facas de sílex. Raspadores para metalurgia. Uma pedra de toque. Esta rocha escura testou a qualidade do ouro e da prata. Por que enterrá-los com ela? Porque ela precisava deles. Porque ela queria que suas habilidades sobrevivessem ao túmulo.

“As pessoas que ela deixou para trás queriam levar seu kit de ferramentas para a vida após a morte”, diz Dawson.

Vestígios de ouro foram encontrados nas pedras. Ela não estava apenas batendo pedras juntas. Ela estava elaborando finas folhas de ouro sobre núcleos de osso ou cobre. Trabalho delicado. Preciso.

E sim, ela tinha um machado de batalha. Pedra Verde. Da Cornualha.

Foi para a guerra? Ou talvez para atordoar um animal para o jantar? Nós não sabemos. Ninguém sabe. O que sabemos é que o esqueleto secundário encontrado nas proximidades era provavelmente de sua esposa ou de um servo. Aquele estava sentado na sepultura. Esse está perdido. Perdido. Mas suas ferramentas permaneceram.

Os resultados do DNA resultaram de um estudo maior sobre ancestrais antigos no Instituto Francis Crick. A Grã-Bretanha tinha então muito estanho e cobre. A equipe queria rastrear quem se movia.

O sexo foi um choque total.

Eles verificaram dois outros ossos para ter certeza. Um dente. Um dedo do pé. Resultados consistentes. Não é uma mistura de restos mortais. Uma pessoa. Fêmea biológica.

Ela era alta. Um metro e setenta e quatro é impressionante para a época. Robusto. Seu pulso direito tinha artrite grave. Seu pulso esquerdo não.

Pense nisso. Anos de martelos balançando. Aquecimento metálico. Modelagem de minério fundido. Seu corpo traz a marca de seu trabalho. Não da jardinagem. De forjamento.

Pontus Skoglund, do Crick, diz que a tecnologia finalmente alcançou a nossa curiosidade.

“É muito bom levar isso aos arqueólogos”, disse ele.

Por muito tempo olhamos para um esqueleto e vimos uma espada, então era um homem. Vimos joias, então era uma mulher. Projetamos nossos próprios preconceitos no pó e nos ossos.

A professora Mary Beard chama isso. Atribuímos papéis de género às pessoas mortas com base nas nossas próprias suposições confortáveis ​​sobre quem detém o poder.

O DNA elimina a desordem. Não se importa com nossas expectativas. Simplesmente é.

O xamã era uma mulher. Um metalúrgico. Um líder.

Nós construímos para ela uma barba falsa durante séculos. Agora sabemos que ela nunca usou um.