Está chegando. Em três anos, exatamente, o céu mudará para bilhões de nós. Não dramaticamente, não violentamente, mas visivelmente. Uma rocha chamada Apófis.
Os cientistas não estão esperando pelo momento. Eles já mapearam isso.
Num workshop recente em Itália, os astrónomos Rick Fienberg e o cartógrafo reformado Michael Zeiler revelaram alguns detalhes importantes. Eles querem que você saiba onde procurar. Quando. Quem vai ver. Aproximadamente 90% da população da Terra – ou seja, cerca de 7,6 mil milhões de almas – encontra-se no ponto ideal.
A data? 13 de abril de 2229? Não, espere, verifique isso. 2029.
Claro, a natureza é um spoiler. Nuvens. Poluição luminosa. Se sua cidade brilha muito ou seu céu se esconde atrás de tempestades, você pode perder a festa. Mas a geometria funciona. Para a maioria de nós, Apófis não será uma sequência brilhante. Nenhuma trilha de meteoros de Hollywood. É mais sutil do que isso.
“Definitivamente será perceptível.”
Um ponto de luz. Um deslizamento constante e silencioso. No seu ritmo mais rápido, ele muda na largura de uma lua cheia a cada minuto. Mais lento que um satélite. Horas, não minutos, para cruzar sua visão.
A linha do tempo
A visibilidade começa por volta do meio-dia EDT, aumentando sobre a Austrália. Isso permanece. À deriva em direção ao leste, ele passa cerca de sete horas no céu para qualquer pessoa com olhos claros.
Depois vem o pico.
Às 16h35 EDT, Apophis atinge seu ponto mais brilhante sobre Camarões. Esta é a chance do dinheiro. África, Ásia, Leste da América do Sul e partes da Europa têm assentos na primeira fila. Quase 4 bilhões de pessoas.
Uma hora depois, 17h45, fica desconfortavelmente perto. Cerca de 19.700 milhas acima do Atlântico Norte. Isso é perigosamente íntimo. Estamos falando bem dentro do anel onde orbitam os satélites geoestacionários. Você sabe, aqueles que mantêm o sinal do cabo intacto? Apophis passa entre a Terra e essas âncoras.
Isto não é um exercício. E não é um desastre.
Sem impacto
Vamos abordar o pânico, mesmo que ele não devesse existir. Quando encontramos esse cara pela primeira vez em 2004? Coisas assustadoras. A matemática antiga sussurrava uma chance em 3 de que isso aconteceria em 2029. Chegou às manchetes. Isso nos fez olhar para cima, suando.
Mais tempo. Melhores telescópios. Dados concretos.
Os números da NASA são agora cristalinos. Chance de impacto para 2029? Zero. Próximo século? Também zero. O professor do MIT, Richard Binzel, iniciou o workshop em Pádua com um mantra, repetido até parecer um feitiço:
Apophis passará com segurança.
Ele disse isso três vezes. Porque a certeza, depois de duas décadas, é conquistada, não assumida.
Então por que todo mundo se importa tanto?
Um cabo de guerra cósmico
Porque isso é novo. Nunca antes na história da humanidade previmos a passagem de um asteróide a olho nu. Binzel chamou isso de experiência compartilhada. Estamos todos olhando para a mesma rocha.
Mas além do espetáculo, existe a ciência. Física real em ação. A gravidade da Terra não está apenas observando Apófis passar; está agarrando.
A massa do planeta ajustará a órbita do Apophis. Envie-o por um caminho ligeiramente novo ao redor do Sol. Mas durante aquele aperto? As forças flexionarão a rocha. Estique-o. Comprima-o.
Não sabemos o resultado. Será que vai aguentar? Ou será que as forças das marés provocarão deslizamentos de terra na sua superfície, eliminando a poeira e revelando rochas interiores imaculadas?
Talvez nada aconteça. Talvez o asteróide seja difícil. Indiferente ao abraço da Terra.
“Simplesmente não sabemos o que vai acontecer”, disse Binzel.
É uma suposição envolvida em um cálculo.
Os cientistas já estão se posicionando para obter a melhor visão. Ilhas Canárias, em Espanha, com vista para o Atlântico. Céu limpo. Ângulo ideal.
Eles estarão assistindo. Você também vai. Todos veremos se o Apophis muda de forma sob o peso da gravidade do nosso mundo.
Isso pode nos surpreender. Talvez não. Mas finalmente veremos isso perto o suficiente para perceber a diferença.
Sete horas de visibilidade. Uma passagem. Uma chance de observar o ajuste do sistema solar.
Nos vemos em 2029 ☄️
